As Organizações Sociais na privatização da saúde, ciência e tecnologia

O cenário político atual do contexto brasileiro está cada vez mais alarmante. De uns anos para cá, não faltam notícias preocupantes no quadro nacional. Para citar algumas, podemos falar de condução coercitiva de reitores de universidades federais, criminalização e banalização de movimentos sociais (notícias sobre arquitetura do prédio e sua história ganham mais importância do que as dezenas de vidas perdidas nessa tragédia e, para além disso, a necessária reorganização do espaço humano), intervenção militar no Estado do Rio de Janeiro, reformas educacionais idealizadas por bancos internacionais e indústrias petroleiras, desmonte e privatização de órgãos públicos e, mais recentemente, uma possível audiência pública na câmara dos deputados, em Brasília, para apurar uma suposta perseguição a estudantes evangélicos nas universidades públicas (fato político construído na UFF com a parceria de neonazistas). Se o Brasil atual não é um país em estado de exceção, caminhando a passos largos ao totalitarismo, não sabemos o que é. Entretanto, devemos nos perguntar: de onde vem as motivações, incentivos e suporte (ideológicos, estruturais e financeiros) para esse desmonte do Estado brasileiro? Leia mais

O Senhor [Mercado] é meu pastor, nada me faltará

“O script de uma carreira no mercado de emprego formal — para quem teve a sorte do acesso a uma educação de qualidade — envolvia, até então, escolher uma profissão, caprichar em uma formação na área, procurar vagas, se dedicar a compreender a dinâmica de processos seletivos. […] Estudiosos dizem que, se antes deveríamos aprender certos conteúdos, agora precisamos aprender a aprender novos conteúdos, já que novos conhecimentos surgem com grande velocidade e trabalharemos por mais anos.” Leia mais

In Code We Trust (I) – A blockchain entre a hype e o ceticismo

Em seu livro “Dívida: Os primeiro 5000 anos” David Graber relata a história de um soldado britânico[1] em Hong Kong, na década de 50, que certa vez pagara sua conta no bar com um cheque inglês. Um dia o soldado encontrou seu cheque nas mãos de um vendedor local, com várias pequenas rasuras no papel. Sem possibilidade de utilização, à princípio, os mercadores começaram a trocar o papel entre si, acrescentando suas assinaturas, sinal da confiança depositada nesse processo. O autor conclui logo em seguida que o valor da unidade da moeda não é o valor do objeto, mas a medida da confiança de uma pessoa em outra. O elemento de confiança no curso, continua o autor, é o que dificulta mais ainda a posição Chartanista – do Latim Charta, símbolo ou token – de fazer com que as pessoas continuem acreditando nesse charta. Mais ainda se falarmos no estabelecimento dessa confiança em escala global. Leia mais

A incorporação de novas práticas integrativas no SUS — A crítica para além da cientificidade

Em março de 2018 o então ministro da saúde, Ricardo Barros, anunciou um decreto que incluía 10 novas práticas integrativas e complementares (PIC) ao rol das 19 já utilizadas no Sistema Único de Saúde (SUS). Apiterapia, aromaterapia, bioenergética, constelação familiar, cromoterapia, geoterapia, hipnoterapia, imposição de mãos, ozonioterapia e terapia de florais passaram a compor a lista junto com ayurveda, homeopatia, medicina tradicional chinesa, medicina antroposófica, plantas medicinais/fitoterapia, arteterapia, biodança, dança circular, meditação, musicoterapia, naturopatia, osteopatia, quiropraxia, reflexoterapia, reiki, shantala, terapia comunitária integrativa, termalismo social/crenoterapia e yoga. O argumento defendido pelo ministro é que essas práticas são importantes na prevenção e promoção à saúde, ou seja, que se pode economizar verbas públicas ao evitar que as pessoas fiquem doentes. Leia mais

Sobre a importância da contextualização das ciências

“A ciência brota de nossos livros universitários, como que em passes de mágica, induzindo-nos a crer que Newton tirou de sua cartola o conjunto de leis que sintetizaram toda a ciência de milênios. Este abracadabra faz surgir diante dos alunos, pronta e reluzente, a relação F=ma, antes mesmo que a maçã de Newton toque o chão! É uma visão mágica de ciência que nos fez sonhar, durante essas últimas cinco décadas, com os fantásticos gênios e suas descobertas maravilhosas. Leia mais