As ciências brasileiras têm de fato reduzido as desigualdades?

“É realizada sempre no mês de outubro sob a coordenação do MCTIC [Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação], por meio da Coordenação-Geral de Popularização e Divulgação da Ciência (CGPC/SEPED) e conta com a colaboração de secretarias estaduais e municipais, agências de fomento, espaços científico-culturais, instituições de ensino e pesquisa, sociedades científicas, escolas, órgãos governamentais, empresas de base tecnológica e entidades da sociedade civil. A SNCT tem o objetivo de aproximar a Ciência e Tecnologia da população, promovendo eventos que congregam centenas de instituições a fim de realizarem atividades de divulgação científica em todo o País. A ideia é criar uma linguagem acessível à população, por meios inovadores que estimulem a curiosidade e motivem a população a discutir as implicações sociais da Ciência, além de aprofundarem seus conhecimentos sobre o tema. O período oficial da 15ª SNCT vai de 15 a 21 de outubro de 2018.”[1]

Neste ano, a SNCT vem com o tema “Ciência para a redução das desigualdades” que, de acordo com a próprio governo,

“permite trazer à tona o debate acerca da contribuição das Ciências Sociais e Humanas para a redução das desigualdades no Brasil. Fomentar os usos sociais da ciência e da tecnologia permitirá ampliar as possibilidades de se combater a desigualdade social por meio da popularização e da divulgação da ciência e da tecnologia. […] A interdisciplinaridade e a transversalidade na abordagem do tema da SNCT 2018 podem ser o diferencial para um projeto com grande impacto na sociedade brasileira, demonstrando que a popularização da ciência pode ser, de fato, utilizada como ferramenta para o alcance da melhoria de vida e do empoderamento da população.”[2]

Propostas que, apesar de vagas, parecem ser interessantes a priori, pois quem não quer que a ciência e tecnologia ajudem a reduzir as desigualdades sociais? No entanto, mesmo governo que propõe este tema é o que congela os gastos públicos por 20 anos, corta as já escassas verbas das universidades públicas e Unidades de Pesquisa, aprofundando a crise educacional e científica do Brasil e que tem como sua manifestação material e simbólica mais recente, o incêndio do Museu Nacional. Além disso, apesar da importância e dimensão, esse evento acaba caindo na batida neutralidade científica, ainda que indiretamente, pois um encontro desse porte dificilmente prepara um espaço para um debate crítico sobre as relações sociais, políticas e econômicas na produção de conhecimento científico. No ano passado, em 2017, o tema da SNCT do ano passado foi “A matemática está em tudo”, e alguns de nós, ainda antes da construção do PAC, sentimos a necessidade de um debate mais crítico, sobretudo em um contexto de corte de verbas para a CeT e de constante perigo de corte de bolsas. Assim, fizemos uma mesa chamada “A matemática dos cortes”, no Museu de Astronomia e Ciências Afins.

Esse ano, com cada vez mais cortes, e com o tema “Ciência para a redução de desigualdades”, não podemos deixar de nos perguntar: as ciências brasileiras têm de fato reduzido as desigualdades? Se você também quer participar desse debate, participe de nossa mesa! Vai ser na quarta-feira, 17/10, às 15h na Tenda da Ciência, na Fiocruz-Manguinhos! Participando da nossa mesa, teremos Virgínia Fontes[3], da UFF, e Jose Abdalla Helayël[4], do CBPF! Venham!

Esse texto foi originalmente publicado em 2 de outubro de 2018 e pode ser encontrado aqui.

Evento no facebook: https://www.facebook.com/events/258656664839768/

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[1]http://snct.mctic.gov.br/semanact/opencms/Textos/O-que-e
[2]http://snct.mctic.gov.br/semanact/opencms/Textos/Entenda-como-funciona.html
[3]http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4783947U0
[4]http://buscatextual.cnpq.br/buscatextual/visualizacv.do?id=K4787683J3
Jorge Vitral é físico e mestre em educação. Rhavel faz licenciatura em física. Ambos são fundadores e editores do Portal Autônomo de Ciências.